De volta ao passado: Paleontologia e paleontólogos

Âmbar, uma resina vegetal fossilizada, tem sido utilizado por milhares de anos como adorno de rara beleza e fascínio. Mas quando no seu interior aparecem restos de pequenos animais e plantas em perfeito estado de conservação, a jóia passa a constituir uma cápsula do tempo e objeto de estudo paleontológico.

A Paleontologia é a ciência que estuda evidências da vida pré-histórica preservadas nas rochas, os fósseis, e elucida não apenas seu significado evolutivo e temporal mas também sua aplicação na busca de bens minerais e energéticos. Para ter sucesso nesse campo o pretendente a paleontólogo precisa adquirir excelentes conhecimentos geológicos e sólidos fundamentos biológicos.

 

Prof. Dr. Thomas Rich Fairchild


Molde de carapaça de um tribolite, Devoniano do Paraná.
Dimensão máxima, 7,5 cm. Foto: S. F. Beck.


Pegadas (fósseis traço ou icnofósseis) deixadas por dinossauro carnívoro, Cretáceo do Piauí. Foto: G. Leonardi, 1984.

Nas últimas décadas, esta ciência tem passado por uma renascença, uma verdadeira revolução científica, devido, em parte, à grande popularidade de filmes e documentários sobre os mais intrigantes dos seres pré-históricos, os dinossauros, pterossauros e outros répteis associados, todos extintos, mas também em função de novas maneiras de investigar os fósseis no campo e de estudar o passado da vida no laboratório. Também pode se dizer que já passaram os dias em que o paleontólogo descrevia um ossinho ou uma conchinha pelo prazer de lançar um novo nome científico na literatura especializada, pois os fósseis armazenam muito mais informação do que se imaginava antigamente.

 

 

É claro que a descrição e identificação dos fósseis continuam importantes; afinal, essas informações fundamentam estudos de evolução e biodiversidade do passado e servem de base para a datação e correlação temporal das rochas sedimentares. Mas cada fóssil também possui uma história própria, desde a morte do organismo (animal, planta ou micróbio) até sua transformação final em fóssil, e essa história pode revelar detalhes do paleoclima, dos ambientes antigos de sedimentação e dos processos físico-químicos que afetaram os sedimentos desde sua deposição.

Novas tecnologias, principalmente na área da "paleontologia molecular", têm propiciado avanços impressionantes em nossa compreensão dos princípios de vida na Terra e da cronologia das inovações evolutivas subseqüentes. Por exemplo, a variação em átomos de carbono em grafite mineral com idade de 3,8 bilhões de anos sugere que a vida é tão antiga quanto ao registro de material geológico terrestre (um pouco mais que 4 bilhões de anos).

Outro exemplo: a análise das diferenças sutis no sequenciamento de moléculas básicas a toda a vida (certos tipos de RNA e proteínas, por exemplo) aponta para a origem dos primeiros animais (microscópicos) em torno de 1 bilhão de anos atrás, mais 400 milhões de anos antes do aparecimento das primeiras evidências de animais visíveis ao olho nu!

O paleontólogo moderno é, portanto, um cientista polivalente pouco parecido com as exóticas figuras comumente veiculadas como paleontólogos nos filmes de antigamente.



Microfóssil filamentoso (cianobactéria ou bactéria) com 3,5 bilhões de anos, o mais antigo fóssil do mundo, Arqueano da Austrália. Foto: J. W. Schopf.


Tubos calcários secretados pelos primeiros animais capazes de produzir algum tipo de carapaça mineralizada (Cloudina lucianoi), ~545 milhões de anos de idade (limite Proterozóico/Fanerozóico), Mato Grosso do Sul. Foto: T. R. Fairchild.

 


Folha incarbonizada de planta terciária supostamente ancestral do pau-brasil,
MinasGerais. Dimensão máxima, 6cm. Foto: S. F. Beck.

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